🩺 FisioGuia Fisioterapia

Manual de Bolso
📌 Base Legal: Portaria CREFITO-3 nº 185/2022
📄 Diretrizes do exercício profissional do fisioterapeuta no âmbito hospitalar – Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 3ª Região.
✅ Atribuições Privativas e Competências Exclusivas
Atribuição / CompetênciaBase Legal (Artigo)
Autonomia para alterar/ajustar parâmetros da ventilação mecânica, corrigir assincronias e realizar ajustes visando preservar ou restaurar a integridade do sistema cardiorrespiratório.Art. 1º e Parágrafo único do Art. 3º
Prescrição e acompanhamento de exercícios terapêuticos e treinamento da musculatura respiratória durante o desmame.Art. 3º
Prescrição de cinesioterapia/exercício terapêutico objetivando recuperação da capacidade física.Art. 4º
Decisão sobre quando iniciar a mobilização precoce e quais recursos utilizar (prancha ortostática, cicloergômetro, faixas elásticas, realidade virtual, etc.).Art. 5º
Determinar sedestação à beira do leito, ortostase, marcha estacionária e com deslocamento, inclusive com paciente intubado.Art. 6º
Processo de desmame ventilatório (prerrogativa do fisioterapeuta).Art. 9º
Indicar, contraindicar, instalar e interromper a ventilação não invasiva (VNI).Art. 16
Utilização de tecnologias assistivas para restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física e funcional.Art. 18
Elaboração do diagnóstico fisioterapêutico, instituir e aplicar o plano de tratamento e conceder alta fisioterapêutica.Art. 28
🔄 Atribuições Compartilhadas / Permitidas (não privativas)
Atribuição / AtividadeBase Legal (Artigo)Observação
Observar e corrigir a pressão do balonete da cânula orotraqueal durante o atendimento.Art. 8ºPermitido, mas não é atribuição privativa.
Aspiração traqueal e/ou de vias aéreas superiores durante o atendimento, se necessário.Art. 13Exceto quando não houver prognóstico funcional.
Compor equipe de transporte intra ou extra-hospitalar quando paciente necessitar de suporte ventilatório.Art. 15Profissional exclusivo da equipe de transporte.
Iniciar primeiros socorros básicos em caso de parada cardiorrespiratória durante atendimento ou como primeiro profissional a perceber.Art. 11Salvo conduta definida em cuidados paliativos documentada.
❌ Atividades que NÃO são atribuições do Fisioterapeuta
Atividade / ProcedimentoBase Legal (Artigo)Justificativa
Montagem de ventiladores, troca de reservatórios, condensadores, copos coletores e circuitos dos ventiladores.Art. 2º e 14Responsabilidade do setor especializado (CME/Serviço de Controle de Infecção).
Decanulação e troca de cânula traqueal.Art. 7ºProcedimento não atribuído ao fisioterapeuta.
Realizar curativos.Art. 10Atribuição de enfermagem.
Troca da fixação de cânulas orotraqueais e de traqueostomias.Art. 10Atribuição de enfermagem.
Auxiliar e/ou acompanhar broncoscopia, endoscopia e traqueostomia.Art. 10Procedimentos médicos.
Armazenamento, distribuição, recolhimento, processamento e desinfecção de materiais de uso respiratório.Art. 14Responsabilidade do setor especializado.
Administrar medicamentos inalatórios.Art. 21Atribuição de enfermagem ou equipe médica.
Realizar punção para gasometria arterial.Art. 17Procedimento de enfermagem ou médico.
Diagnóstico de morte encefálica.Art. 20Exclusividade médica.
📌 Fonte: Portaria CREFITO-3 nº 185, de 18 de agosto de 2022 – Disponível em: https://crefito3.org.br/dsn/pdfs/2022/08/diretrizes-profissao-ambito-hospitalar.pdf
📌 Síntese de 32 Diretrizes Clínicas (Plater et al., 2024)
📄 As 27 declarações abaixo representam uma síntese das melhores recomendações baseadas em evidências para a fisioterapia em ambiente hospitalar (pacientes internados). Foram organizadas por áreas de atuação e incluem um nível de confiança baseado no número de diretrizes que as suportam e na qualidade da evidência.
🫁 Cardiorrespiratório (12 diretrizes)
# Recomendação Confiança
1Exercícios de baixa intensidade devem ser oferecidos a pacientes com doença pulmonar crônica durante a internação, com orientações para progressão ou acompanhamento após alta.Baixa
2Exercícios de baixa intensidade devem ser oferecidos a pacientes com doença cardíaca durante a internação, com orientações para progressão ou acompanhamento.Forte
3Pacientes com risco de retenção de secreções devem ser avaliados por um fisioterapeuta.Moderada
4Técnicas de desobstrução brônquica devem ser fornecidas de acordo com a preferência do paciente.Moderada
5O tosse assistida (cough assist) deve estar disponível para pacientes com pico de fluxo expiratório < 270 L/min que não conseguem eliminar secreções.Moderada
6Pacientes ventilados mecanicamente devem iniciar um programa de mobilização precoce após 24 horas de estabilidade.Moderada
7Pacientes de alto risco ou criticamente enfermos devem ser monitorados continuamente durante o exercício.Forte
8Massagem, compressas frias e técnicas de relaxamento podem ser usadas para reduzir a dor procedimental.Baixa
9Otimização do sono, comunicação e reorientação devem ser usadas para reduzir o delirium na UTI.Baixa
10Incluir avaliação subjetiva e objetiva para trombose venosa profunda (TVP) na avaliação de pacientes imobilizados.Moderada
👴 Maiores de 65 anos (4 diretrizes)
# Recomendação Confiança
11Todo paciente internado com mais de 65 anos deve ser avaliado quanto à fragilidade e risco de quedas (incluindo avaliação de equilíbrio e mobilidade) e registrar se o paciente faz uso de anticoagulantes.Baixa
12Todo paciente com risco de quedas acima de 65 anos deve receber um programa de atividade física durante a internação e ser encaminhado para acompanhamento se o risco persistir.Forte
🔪 Cirúrgico (9 diretrizes)
# Recomendação Confiança
13Fisioterapia pré-operatória deve estar disponível para todos os pacientes submetidos a cirurgias eletivas que impactarão sua mobilidade ou função cardiorrespiratória.Moderada
14A fisioterapia pré-operatória deve incluir avaliação de risco, educação e preparação para o período pós-operatório.Baixa
15A fisioterapia pós-operatória deve ser iniciada no 1º dia após a cirurgia.Forte
16A fisioterapia pós-operatória deve focar no alcance de metas funcionais, maximizando a função, mobilizando e fornecendo exercícios gerais e específicos para a cirurgia realizada.Moderada
17Para amputados, o tratamento deve incluir terapia compressiva e descarga precoce com prótese (pilar/PPAMaid).Baixa
18Para pacientes com fratura de quadril, é necessária uma avaliação completa da mobilidade prévia e atual, capacidade de exercício, equilíbrio, fatores contribuintes e risco de quedas.Baixa
🧠 Neurológico / Reabilitação (6 diretrizes)
# Recomendação Confiança
19Pacientes internados com condições neurológicas/de reabilitação devem ser avaliados por um fisioterapeuta e a intervenção iniciada dentro de 24–48 horas do início ou assim que o paciente estiver clinicamente estável.Forte
20A rotina diária do paciente em reabilitação deve ser organizada para permitir 3 horas diárias de reabilitação ativa conforme tolerado (fisioterapia equilibrada com outras intervenções).Baixa
21Pacientes em reabilitação devem ser avaliados usando medidas de desfecho padronizadas e testes específicos para anormalidades de marcha, equilíbrio, fraqueza e função, e monitorados para desenvolvimento de complicações (espasticidade, contratura, negligência, dor, subluxação).Moderada
22Para pacientes neurológicos/em reabilitação, o treinamento funcional repetitivo orientado a metas deve ser o foco do tratamento. Outros recursos e terapias adjuvantes podem ser usados para facilitar o treinamento/reabilitação.Forte
23Para pacientes neurológicos/em reabilitação, a aptidão cardiovascular deve ser avaliada, e a reabilitação deve incluir exercícios de grandes grupos musculares de baixa intensidade, visando 20 minutos, 3 vezes por semana.Moderada
📤 Planejamento de Alta e Outros
# Recomendação Confiança
24Os recursos de adaptação devem ser cuidadosamente considerados junto ao paciente e à família/cuidador quanto à sua capacidade de proporcionar independência a curto prazo.Moderada
25Pacientes, familiares e cuidadores devem receber educação e suporte para apoiar o estabelecimento de metas terapêuticas.Moderada
26O planejamento da alta para pacientes com necessidades sociais, de reabilitação ou de equipamentos contínuas deve começar a partir da admissão.Moderada
27O planejamento da alta/transferência de cuidado deve incluir avaliação ambiental, educação do paciente/cuidador/família, fornecimento de equipamentos e organização de acompanhamento alinhado com os objetivos do paciente.Forte
📌 Observações: A confiança das recomendações foi classificada com base no número de diretrizes que as suportam e na qualidade da evidência atribuída pelos grupos elaboradores.
📋 Valores Adulto
Parâmetro Faixa Normal Observações
Frequência Cardíaca60–100 bpmBradicardia < 60 | Taquicardia > 100
Frequência Respiratória12–18 irpm>20 taquipneia
Pressão ArterialSistólica < 120, Diastólica < 80Ótima <120/80 mmHg
Temperatura36,5°C – 37,2°COral/axilar
SpO₂95% – 100%Ar ambiente
📌 Fonte: Cleveland Clinic
📊 Tabela Pediátrica
Faixa EtáriaFC (bpm)FR (irpm)PAS (mmHg)PAD (mmHg)
Recém-nascido (0-28d)100–20530–6067–8435–53
Lactente (1-12m)100–18025–5072–10444–65
Pré-escolar (1-5a)80–14020–3086–10654–70
Escolar (6-12a)70–11516–2294–12258–78
Adolescente (13-18a)60–10012–20100–13264–82
💡 SpO₂ ≥95% | Temperatura axilar 36,5–37,5°C. Fonte: PedsCases.com
📌 Vasopressores e Inotrópicos
Fármaco Dose usual Receptores / Ação Indicações principais Observações / Efeitos adversos
Norepinefrina (Levophed®)1 – 100 mcg/minα1 > β1Choque séptico (1ª linha)Isquemia periférica, necrose cutânea
Fenilefrina (Neosynephrine®)Bolus: 0,05‑0,5 mg a cada 10‑15 min
Infusão: 40‑360 mcg/min
α1Hipotensão periprocedimento, taquiarritmias, estenose aórtica críticaBradicardia reflexa, isquemia periférica
Epinefrina1 – 40 mcg/minα1 = β1 = β2Pós-PCR, anafilaxia, choque séptico grave, choque cardiogênicoTaquiarritmias, isquemia periférica
Vasopressina0,04 U/min (sem titulação usual)V1, V2, V3Choque séptico (2ª linha), insuficiência cardíaca direitaHiponatremia, bradicardia
Dopamina2 – 20 mcg/kg/minDopaminérgico (1‑5) > β1 (5‑10) > α1 (>10)Hipotensão, choque cardiogênicoTaquiarritmias, isquemia periférica
Dobutamina2,5 – 20 mcg/kg/minβ1 >>> β2Choque cardiogênico (aumenta contratilidade)Vasodilatação → hipotensão, taquicardia, taquifilaxia
Milrinona0,375 – 0,75 mcg/kg/minInibidor da PDE-3Choque cardiogênico (vasodilatador + inotrópico)Hipotensão, clearance renal (ajustar na IR)
💊 Sedativos e Ansiolíticos
FármacoDoseClasse / MecanismoMetabolismoEfeitos adversos / Observações
Propofol5 – 150 mcg/kg/minAgonista GABAHepático e renal (menor)Hipotensão grave, bradicardia, hipertrigliceridemia, síndrome da infusão do propofol (rara). Monitorar triglicérides e CK
Dexmedetomidina (Precedex®)0,1 – 1,5 mcg/kg/hAgonista α2 centralHepáticoHipotensão, bradicardia
Midazolam (Dormonid®)Bolus: 0,5‑5 mg
Infusão: 0,25‑5 mg/h (sem dose máxima)
BenzodiazepínicoHepático e renalHipotensão, risco de abstinência se uso prolongado
Lorazepam (Lorax®)Bolus: 0,5‑10 mg
Infusão: 0,5‑5 mg/h
BenzodiazepínicoHepáticoHipotensão; veículo propilenoglicol → acidose metabólica com ânion gap elevado
Cetamina (Ketalar®)Bolus: 1‑2 mg/kg
Infusão: iniciar 0,2 mg/kg/h, titular 0,1 a cada 15 min
Antagonista NMDAHepáticoDelírio, alucinações (cuidado em psiquiátricos), hipertensão, taquicardia. Pré-tratar com glicopirrolato 0,4 mg IV para evitar sialorreia
💊 Analgésicos
FármacoDoseMetabolismoEfeitos adversos / Observações
FentanilBolus: 25‑100 mcg
Infusão: 25‑400 mcg/h
HepáticoHipotensão, síndrome serotoninérgica, rigidez torácica (altas doses)
MorfinaBolus: 1‑5 mg a cada 1‑2h se necessário
Infusão: 1‑5 mg/h
Hepático e renalHipotensão acentuada, prurido, constipação; evitar em IR
Hidromorfona (Dilaudid®)Bolus: 0,25‑1 mg a cada 1‑2h
Infusão: 0,5‑3 mg/h
HepáticoHipotensão, depressão respiratória, prurido
💊 Antiarrítmicos
FármacoDoseIndicações principaisEfeitos adversos / Observações
Adenosina6 – 12 mg IV em bolus rápido (flush) – pode repetirTVPS (taquicardia supraventricular paroxística)Bloqueio AV transitório; meia‑vida de 10 segundos. Monitorização contínua obrigatória
AmiodaronaACLS: 300 mg IV em bolus
Não emergencial: 150 mg em 10 min → 0,5 mg/min
TV/FV, FAMenos hipotensão que outros. Toxicidade pulmonar, ocular, tireoidiana no uso crônico. Cuidado se anticoagulação inadequada
DiltiazemBolus: 10‑20 mg a cada 15 min (x2)
Infusão: 5‑15 mg/h
FA, Flutter, TVPSBradicardia, hipotensão. Evitar em IC com fração de ejeção reduzida (HFrEF)
LidocaínaACLS: 1 mg/kg
Infusão: 1‑4 mg/min
TVBradicardia, bloqueio cardíaco. Seguro em HFrEF. Monitorizar níveis se uso >24h
Procainamida15 mg/kg em 30 min → 1‑6 mg/minTV, FA refratáriaBradicardia, hipotensão, lúpus induzido por droga, citopenias
💊 Anti‑hipertensivos
FármacoClasse / MecanismoDoseIndicações principaisEfeitos adversos / Observações
EsmololBetabloqueador (β1 seletivo)Bolus: 1 mg/kg em 30s
Infusão: 50‑300 mcg/kg/min (máx 300)
Dissecção aórtica, emergência hipertensivaBradicardia, hipotensão. Cautela em HFrEF
NicardipinaBloqueador de canal de cálcio (CCB)Infusão: 5‑15 mg/h (máx 15)Emergência hipertensivaBradicardia, hipotensão. Evitar em HFrEF
Nitroprussiato de sódio (Nipride) Doador de NO – vasodilatador arterial e venoso0,3 mcg/kg/min; titular a cada 2 min até máx 10 mcg/kg/minEmergência hipertensiva, edema agudo de pulmão, HFrEF (reduz pós‑carga)Hipotensão, toxicidade por cianeto. Contraindicado em IR e insuficiência hepática
Nitroglicerina (Tridil)Doador de NO – vasodilatação venosa > arterial e coronarianoIniciar 0,25 mcg/kg/min, titular a cada 15 min (máx 10)Angina refratária, edema agudo de pulmão, emergência hipertensivaHipotensão, cefaleia, palpitações. Contraindicado em insuficiência cardíaca direita grave e uso concomitante de inibidores da PDE‑5
📌 A maioria das drogas possui protocolos institucionais e deve ser titulada com monitorização hemodinâmica contínua. Doses descritas são para adultos em ambiente de terapia intensiva. Consulte sempre a prescrição médica e as diretrizes locais.
📌 Por que aspirar?
📄 A aspiração traqueal remove secreções (muco) da cânula de traqueostomia, mantendo a via aérea pérvia, melhorando a respiração e reduzindo o risco de infecção pulmonar. A falta de aspiração adequada é uma das principais causas de infecção em pessoas com traqueostomia.
🛠️ Materiais Necessários
MaterialEspecificação
Aspirador (portátil ou de parede)Com regulador de vácuo
Sondas de aspiração (cateteres)Nº 14 ou 16 para adultos
Luvas de procedimento estéreisDescartáveis
Solução fisiológica (SF 0,9%)Para instilação e lavagem
Seringa de 5 mL ou lavagem estéril prontaPara instilar SF
Materiais para aspiração traqueal
🖼️ Materiais necessários
📋 Passo a Passo – Aspiração Traqueal
🧼
1. Higienize as mãos
Lave com água e sabão por pelo menos 20 segundos, esfregando entre os dedos e sob as unhas. Seque com papel toalha. Use papel para fechar a torneira. Alternativa: use álcool em gel 70% e deixe secar ao ar.
Lavagem correta das mãos
🖼️ Técnica de lavagem das mãos
🧪
2. Prepare e teste o cateter
Calce as luvas estéreis. Abra a embalagem da sonda de aspiração sem tocar na ponta que será inserida na traqueostomia. Com a mão dominante, enrole o corpo da sonda de forma organizada para facilitar o manuseio. Conecte a extremidade da sonda ao tubo do aspirador (chicote). Obstrua totalmente o chicote conectado à rede de vácuo (com a mão não dominante) e solte rapidamente para verificar se há sucção adequada.
Teste do cateter de aspiração
🖼️ Teste do vácuo (substitua a URL)
💧
3. Prepare o paciente e instile soro
Eleve a cabeceira 30-45°. Peça 3‑4 respirações profundas se possível. Instile 3‑5 mL de soro fisiológico na cânula de traqueostomia para estimular tosse e umedecer mucosas - se julgar necessário.
Instilação de soro na cânula
🖼️ Instilação de soro fisiológico
🔄
4. Insira a sonda e aspire
Insira suavemente até sentir resistência (cerca de 10‑12 cm). Aspire com movimento circular, retirando lentamente (máx. 10 segundos). ⚠️ Nunca aspire por mais de 10 segundos seguidos.
Técnica de aspiração traqueal
🖼️ Aspiração com movimento circular
🌬️
5. Permita o paciente respirar
Peça para respirar fundo 3‑4 vezes entre as aspirações (se possível). Lave a sonda com uma ampola de água filtrada e, se necessário. Repita o processo caso necessário.
Lavagem da sonda
🖼️ Limpeza da sonda entre aspirações
Após o procedimento:
Descarte a sonda conforme resíduo infectante. Recoloque o oxigênio suplementar se houver prescrição. Observe cor, odor e consistência das secreções – secreção amarelo‑esverdeada com odor fétido sugere infecção.
⚠️ Lembre‑se: Sempre confirme o tipo de cânula (fenestrada ou não, com balonete ou sem) e siga as orientações específicas da equipe de saúde. O cuidado individualizado é essencial.
📌 Indicações e Contraindicações (VNI)
Indicações principaisContraindicações (VERMELHO = ABSOLUTAS)
DPOC exacerbado com hipercapniaParada cardiorrespiratória / instabilidade hemodinâmica
Edema agudo de pulmão cardiogênicoFalência de via aérea / rebaixamento grave (Glasgow < 8)
Insuficiência respiratória hipercápnicaVômitos incoercíveis, sangramento GI ativo
Hipoxemia refratária em imunocomprometidosDeformidade facial / trauma craniofacial grave
Desmame de VM / pós-extubaçãoObstrução fixa de vias aéreas superiores
Pneumotórax não drenado
⚙️ Parâmetros Iniciais (BIPAP/CPAP)
ModoConfiguração sugeridaAjustes
EPAP/IPAP (BIPAP)EPAP: 4-6 cmH₂O | IPAP: 8-12 cmH₂O↑ gradiente pressão para ↑ VC
CPAP5-10 cmH₂O (Edema agudo pulmonar)Titular conforme SpO₂ >90%
FiO₂Iniciar 40-60%Ajustar para SpO₂ 88-92% (DPOC) ou >94% (outros)
Frequência de suporte10-14 ipm (modo espontâneo/timed)Evitar assincronia
📐 Calculadora HACOR (preditor de falência da VNI)
📊 Fonte: Roca O. et al. (2019). An Index Combining Respiratory Rate and Oxygenation to Predict Outcome of Nasal High-Flow Therapy. Am J Respir Crit Care Med.
📌 Indicações e Contraindicações (CNAF)
Indicações principaisContraindicações / Precauções
Insuficiência respiratória hipoxêmica (pneumonia, COVID-19)Instabilidade hemodinâmica (PAS < 90 mmHg, vasopressores em altas doses)
Pós-extubação – prevenção de falênciaRebaixamento do nível de consciência (Glasgow < 8)
Edema agudo de pulmão cardiogênico (como alternativa à VNI)Obstrução grave de vias aéreas superiores
Hipoxemia leve a moderada com FR > 24 ipmPneumotórax não drenado
Pré-oxigenação para intubaçãoFalência respiratória hipercápnica não tolerada (exacerbação de DPOC grave)
📌 A CNAF oferece fluxo de até 60 L/min, FiO₂ ajustável de 21 a 100%, com aquecimento e umidificação.
📊 Calculadora ROX (preditor de sucesso da CNAF)
🧼 Desinfecção de Alto Nível (Tubo Vermelho)
Conexão1. Conecte o tubo de desinfecção vermelho
Conecte o tubo vermelho no lado azul do aparelho e a outra extremidade na saída de ar (lado vermelho) da câmara umidificadora.
Tampa azul2. Conecte a tampa azul do filtro
Encaixe a tampa azul no lado direito da câmara (entrada de ar) para vedar o sistema.
Iniciar ciclo3. Inicie o ciclo de desinfecção
Ligue o aparelho e segure o botão liga/desliga por 3 segundos. O ciclo dura 55 minutos (aquecimento da saída a no mínimo 87°C por 30 minutos).
✅ Finalização: Após o término (display mostrar '0'), desligue o aparelho. A desinfecção está completa. Remova o tubo de desinfecção e coloque uma capa de armazenamento limpa.
🔁 Procedimento recomendado para desinfecção térmica de circuitos e câmaras (AIRVO™ e similares).
⚕️ Parâmetros Iniciais
ParâmetroConfiguração InicialObservação
Volume Corrente (VC)6-8 mL/kg Peso IdealSDRA: 4-6 mL/kg, Platô <30
Frequência Respiratória12-16 ipmAjustar para pH >7,20
PEEP5-8 cmH₂OTitular conforme ARDSnet
FiO₂40-60%SpO₂ 88-95%
📐 Calculadora de Volume Corrente Ideal
📌 Fórmula: Homem = 50 + 0.91×(altura-152.4); Mulher = 45.5 + 0.91×(altura-152.4). Fonte: StatPearls (2024).
📋 Valores de Referência (Cleveland Clinic)
ParâmetroValor NormalUnidade
pH7,35 – 7,45-
PaO₂75 – 100mmHg
PaCO₂35 – 45mmHg
HCO₃⁻22 – 26mEq/L
🔍 Análise Rápida da Gasometria
📌 Sobre o 4AT
📄 O 4AT (4 A's Test) é um instrumento de rastreio rápido para delirium e comprometimento cognitivo, desenvolvido por MacLullich et al. (2011). É recomendado por múltiplas diretrizes internacionais e utilizado como ferramenta padrão em vários países. Leva cerca de 2 minutos para ser aplicado e não requer treinamento especial.[reference:0][reference:1]
📋 Itens da Escala e Pontuação
Item Avaliação Resposta Pontos
1. Nível de Alerta
Observe o paciente. Se dormindo, tente acordar com fala/toque suave no ombro. Peça para dizer nome e endereço.
Normal (totalmente alerta, sem agitação, durante toda avaliação) 0
Sonolência leve por < 10 segundos após acordar, depois normal 0
Claramente anormal (sonolência acentuada, agitação, hiperatividade) 4
2. AMT4
Perguntar: idade, data de nascimento, local (nome do hospital/edifício), ano atual.
Sem erros 0
1 erro 1
2 ou mais erros / impossível avaliar 2
3. Atenção
"Diga os meses do ano de trás para frente, a partir de dezembro." (permitida uma ajuda inicial).
Acerta 7 meses ou mais 0
Começa mas acerta < 7 meses / recusa a começar 1
Impossível avaliar (sonolento, desatento, não consegue começar) 2
4. Mudança Aguda ou Curso Flutuante
Evidência de mudança significativa ou flutuação no nível de alerta, cognição ou outra função mental (ex.: paranoia, alucinações) surgida nas últimas 2 semanas e ainda evidente nas últimas 24h. Requer informações de familiares, equipe ou prontuário.
Não 0
Sim 4
📌 Interpretação padrão: Pontuação ≥ 4 sugere possível delirium (+/- comprometimento cognitivo). Pontuação 1 a 3 sugere possível comprometimento cognitivo. Pontuação 0 indica que delirium ou comprometimento cognitivo grave são improváveis (mas delirium ainda possível se o item 4 não pôde ser adequadamente avaliado).[reference:2][reference:3]
📋 Critérios Gerais de Segurança (UTI / VM)
CategoriaCritério / ParâmetroValor de Referência / Condição
CardiovascularFrequência Cardíaca (FC)40 – 130 bpm (evitar extremos)
Pressão Arterial Sistólica (PAS)90 – 200 mmHg
Pressão Arterial Média (PAM)≥ 65 mmHg
Estabilidade hemodinâmicaSem necessidade de aumento de droga vasoativa nas últimas 2h
Arritmias / Isquemia miocárdicaAusentes no momento da mobilização
RespiratórioFrequência Respiratória (FR)5 – 40 ipm (ideal < 35)
Saturação periférica (SpO₂)> 88% (ideal ≥ 90%)
FiO₂< 0,6 (60%)
PEEP< 10 cmH₂O
NeurológicoPressão Intracraniana (PIC)Não elevada (se monitorizada)
Nível de consciênciaNão comatoso; capaz de seguir comandos simples (ou RASS ≥ -2)
AgitaçãoAusente ou controlada
OrtopédicoFraturas instáveisNão devem ser mobilizadas sem estabilização prévia
📚 Fonte: Lima LO, et al. Safety criteria to start early mobilization in intensive care units. Systematic review. Rev Bras Ter Intensiva. 2017;29(4):509-519. doi: 10.5935/0103-507X.20170076 – PMC5764564.
🩸 Critérios Hematológicos (Pacientes Oncológicos / Onco-Hematológicos)
ParâmetroValor / NívelRecomendação para Mobilização / Atividade
Plaquetas (×10⁹/L)< 10Atividade limitada a deambulação essencial com assistência, exercícios leves em leito; considerar transfusão antes
10 – 20Exercícios sem resistência, sem esforço excessivo; deambular se paciente estável
20 – 40Resistência leve permitida (banda elástica leve), monitorar sinais de sangramento
40 – 50Atividade aeróbica leve (bicicleta estacionária), evitar impacto
> 50Atividades moderadas permitidas; > 80 exercícios vigorosos com proteção
Hemoglobina (g/L)< 70Contraindicação formal para mobilização; aguardar transfusão ou reavaliar risco-benefício
70 – 80Mobilização com cautela, monitorar sinais de intolerância (dispneia, tontura, fadiga excessiva)
> 80Mobilização progressiva conforme tolerância, monitorar sintomas
Neutrófilos (×10⁹/L)< 0,5 – 1,0Não contraindica mobilização per se. Foco em prevenção de infecção: uso de máscara, higienização, evitar aglomerações, sessões individuais
Febre / Infecção ativaSuspender ou reduzir intensidade, manter apenas atividades leves em leito se clinicamente estável
📚 Fonte: Houston JL, Boyd K, Cavalheri V, et al. What are safe hemoglobin, neutrophil and platelet counts for people with hematological malignancies to participate in exercise and activities of daily living: a scoping review. Support Care Cancer. 2025;33(7):605. doi: 10.1007/s00520-025-09612-5 – PMC12182480.
⚠️ Observações Importantes
  • Decisão compartilhada: A mobilização precoce deve ser individualizada, considerando o quadro clínico global, não apenas valores laboratoriais isolados.
  • Monitoramento contínuo: Avaliar sinais de intolerância (dispneia, queda da SpO₂ > 5%, alteração hemodinâmica, tontura, sangramento ativo).
  • Equipe multiprofissional: A decisão de mobilizar pacientes com critérios limítrofes deve envolver fisioterapeuta, enfermagem e equipe médica.
  • Contraindicações absolutas adicionais: Instabilidade de fraturas, hemorragia ativa não controlada, PIC elevada não tratada, instabilidade hemodinâmica refratária.
🩺 A prescrição segura da mobilização precoce é multifatorial e deve ser ajustada diariamente conforme evolução clínica.
📌 Critérios de Segurança para Mobilização
📄 Fonte: Brigham and Women's Hospital, Department of Rehabilitation Services. Standard of Care: Cardiac. 2019.
⚠️ Contraindicações Absolutas para Mobilização
  • Instabilidade hemodinâmica – PAS < 90 mmHg ou necessidade de vasopressores em doses crescentes
  • Arritmias não controladas – TV sustentada, FA com resposta ventricular rápida (>120 bpm) não controlada
  • Isquemia ativa – Angina instável ou alterações isquêmicas no ECG
  • Miocárdio agudo – Paciente em “ruling out” para IAM (aguardar 3 conjuntos de enzimas e estabilização)
  • Hipotensão ortostática sintomática – Queda da PAS > 20 mmHg com tontura ou náusea
  • Hipoxemia grave – SpO₂ < 88% mesmo com O₂ suplementar (ou < 90% em cardiopatas)
⚠️ Precauções e Limitações Específicas
Condição / ProcedimentoPrecaução / Recomendação
Pós-operatório de cirurgia cardíaca (esternotomia) Precauções esternais por 12 semanas: não levantar > 5 kg, evitar empurrar/puxar excessivo, evitar torção de tronco, log roll para sair do leito, usar travesseiro para tossir/espirrar. Literatura atual sugere que restrições excessivas podem piorar desfechos funcionais.
Pacientes com múltiplos fatores de risco para deiscência esternal: uso de artéria mamária interna, obesidade mórbida, DM mal controlado, osteoporose, reoperação. Seguir precauções rigorosamente.
Cateterismo cardíaco (via femoral) Repouso no leito com perna estendida por 6‑8 horas. Verificar ausência de hematoma ou dor antes de mobilizar.
Marca‑passo definitivo (PPM) / CDI Membro superior ipsilateral: sem elevação > 90° ou exercício terapêutico por 4‑6 semanas. Uso funcional permitido, sem carga > 2‑5 kg.
Dispositivo de assistência ventricular (Impella femoral / IABP) Geralmente restrito ao leito. Se permitido, evitar flexão do quadril > 70° no lado da cannulação.
Cateter de artéria pulmonar (Swan‑Ganz) Mobilização permitida com orientação da equipe. Evitar elevação do ombro ipsilateral > 90° se o cateter estiver fixado nesse lado.
🩺 Avaliação da Tolerância ao Exercício
TesteDescriçãoInterpretação Clínica
Teste de Caminhada de 6 Minutos (6MWT) Padronizado, paciente auto‑paced. Registrar distância (metros), SpO₂, FC, RPE (Borg 0‑10) a cada 2 min, PA pré e pós. Distância normal prevista (Gibbons et al.): para idade e sexo (calculadora automática disponível em Excel).
Em ICC: < 300 m → maior mortalidade. < 536 pés (≈163 m) → maior risco de readmissão em 30 dias.
Em DPOC: correlaciona com qualidade de vida e prognóstico.
Teste de Caminhada de 2 Minutos (2MWT) Alternativa para pacientes com baixa resistência. Normas por idade e sexo (Bohannon et al.). Fornece ponto de partida para prescrição de exercícios intervalados.
📊 Escala de Esforço Percebido de Borg (0‑10) – Modificada
3
Nível leve a moderado – adequado para início de exercício.
📌 Alvo para exercício aeróbico: 3‑5/10 (leve a moderado). Para pacientes descondicionados ou pós‑evento agudo, iniciar com 2‑3/10 e progredir.
📝 Prescrição de Exercício para Paciente Cardiológico (fase hospitalar)
ComponenteRecomendação InicialProgressão
Modo Caminhada (principal); bicicleta estacionária ou restorator se disponível Aumentar gradualmente o tempo antes de aumentar a intensidade
Intensidade RPE 3‑5/10 (Borg); se FC disponível, 40‑60% da FC de reserva (ou 20‑30 bpm acima da repouso, se em uso de betabloqueador) Após 1‑2 semanas de tolerância, progredir para RPE 4‑6/10
Duração Intervalos de 3‑5 min de exercício + 1‑3 min de descanso, totalizando 10‑20 min por sessão Aumentar a duração do intervalo (ex.: 7‑15 min com 2‑5 min de descanso) e depois o tempo total (15‑30 min)
Frequência 2‑4 sessões/dia, 5‑7 dias/semana Consolidar 3‑4 sessões/dia
🔄 Recomendações de Alta e Encaminhamento
  • Encaminhar para Reabilitação Cardíaca ambulatorial antes da alta, sempre que indicado (IAM, CRM, valvoplastia, IC com FE < 35%, transplante).
  • Fornecer prescrição de exercício domiciliar baseada nos resultados do 6MWT (ex.: caminhar em casa com RPE 3‑5/10, em intervalos, evitando piora dos sintomas).
  • Educar sobre sinais de alerta (dor torácica, tontura, dispneia excessiva, palpitações) e quando parar a atividade.
  • Verificar contraindicações para direção pós‑cirurgia (não dirigir por 3‑4 semanas se houver risco de síncope ou se ainda em uso de opioides).
📌 Medicamentos de interesse (impacto na resposta ao exercício): Betabloqueadores reduzem a FC de pico – usar RPE como guia principal. Nitratos e diuréticos podem causar hipotensão postural. Anticoagulantes aumentam risco de sangramento em quedas – cuidado com equilíbrio.
📌 Critérios de Segurança para Mobilização Precoce
📄 Fonte: Protocolo Brasileiro de Fisioterapia Precoce para Pacientes após AVC no Ambiente Hospitalar – Força Tarefa Brasil de Reabilitação do AVC (endossado pela ABN e ABRAFIN).
🧠 Considerações Neurológicas
CritérioCondiçãoConduta
Pressão intracraniana elevada
(suspeita ou confirmada)
Com desvio da linha média ou rebaixamento do nível de consciência ⚠️ Contraindicação absoluta
Com queixa de cefaleia intensa, náusea ou vômito em jato ⚠️ Contraindicação absoluta
Assintomático, sem desvio de linha média, em uso de medicação Contraindicação relativa – avaliar caso a caso
Convulsão Pós-ictal imediato (até 30 min) ⚠️ Contraindicação absoluta
Pós-ictal (após 30 min) Contraindicação relativa – mobilizar com cautela
Controle adequado com anticonvulsivantes, sem sequelas Permitido
Déficits neurológicos flutuantes ou progressivos Piora ≥ 2 pontos no NIHSS ⚠️ Contraindicação absoluta – investigar causa
NIHSS estável ou melhorando Permitido
Queixa de tontura, náusea ou vômito Nas primeiras 24-48h do ictus ⚠️ Contraindicação absoluta (risco de deterioração)
Após 48h, sem piora neurológica Contraindicação relativa – mobilizar com cautela
❤️ Considerações Cardiovasculares
CritérioCondiçãoConduta
Pressão arterial (PA) PAS < 90 mmHg ou > 220 mmHg
PAD > 120 mmHg
⚠️ Contraindicação absoluta
PAS 90-220 mmHg, PAD ≤ 120 mmHg Permitido (monitorar sinais de hipoperfusão)
Frequência cardíaca (FC) FC < 40 ou > 120 bpm ⚠️ Contraindicação absoluta
FC 40-120 bpm Permitido
Arritmias cardíacas instáveis FA com resposta ventricular rápida não controlada, TV, etc. ⚠️ Contraindicação absoluta
🫁 Considerações Respiratórias e Outras
CritérioCondiçãoConduta
Saturação periférica (SpO₂) SpO₂ < 90% (ou < 88% para DPOC) ⚠️ Contraindicação absoluta
Frequência respiratória (FR) FR > 30 ipm ⚠️ Contraindicação absoluta
Temperatura Temperatura > 38,5°C ⚠️ Contraindicação absoluta
Hemorragia ativa / risco de sangramento Nas primeiras 24h pós-trombólise, acesso femoral recente ⚠️ Contraindicação absoluta
📊 Calculadora do NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale)
⚠️ A NIHSS avalia a gravidade do AVC. Pontuação: 0-4 (leve), 5-15 (moderado), 16-20 (moderadamente grave), 21-42 (grave). Aplicar diariamente durante a internação.
Pontuação NIHSS: --
📋 Fluxograma de Mobilização (fase hiperaguda e aguda)
Gravidade (NIHSS)Quando começarDuração da sessãoFrequênciaIntensidade
Leve (0-7) Após 24h do ictus
Pode ir ao banheiro nas primeiras 24h se deambula independente
10-15 min 2-4x/dia Moderada (Borg 10-13)
Moderado (8-15) Entre 24-48h do ictus, após estabilização clínica 10 min 2-3x/dia Leve a moderada (Borg 0-3)
Moderadamente grave (16-20) Entre 24-48h, com cautela redobrada ≤ 10 min 2x/dia Baixa (Borg ≤ 10)
Grave (21-42) Entre 24-48h, priorizar estabilização; iniciar com exercícios leves no leito 5-10 min 1-2x/dia Baixa (Borg 6-8)
📌 Observações importantes:
  • Não mobilizar nas primeiras 24h em pacientes com NIHSS > 7 (exceto deambuladores independentes).
  • Pacientes submetidos à trombólise ou trombectomia: aguardar tomografia de controle e liberação médica (risco de transformação hemorrágica).
  • Pacientes com trombectomia via femoral: aguardar 6h após remoção da bainha ou curativo compressivo.
  • Suspender a mobilização se: FC > 120 bpm sustentada, SpO₂ < 90%, queixa de dor torácica, tontura intensa, náusea, vômito, ou piora do nível de consciência.
  • Exercícios leves no leito (Borg 6-10): paciente fala durante o exercício, sem alteração significativa da FC e FR.
📋 Instrumentos de Avaliação Altamente Recomendados
InstrumentoObjetivoQuando aplicar
NIHSSGravidade do AVCDiariamente
Escala de Rankin modificada (ERm)Independência funcional globalAdmissão (prévio ao AVC) e alta hospitalar
Escala de Mobilidade Hospitalar (EMH)Nível de mobilidadeDiariamente
Teste de Caminhada de 10 metrosVelocidade da marchaQuando começar a andar e na alta
📌 Links úteis:
- Treinamento online gratuito para reabilitação em AVC: https://avc.encontrodigital.com.br/
- Certificação NIHSS e ERm: https://secure.bluecloud.net
- Associação Brasil AVC (manuais e vídeos): http://abavc.org.br/
📌 Parâmetros da NMES na Fraqueza Adquirida na UTI (ICUAW)
📄 Fonte: Papadopoulos M, et al. Therapeutic Applications of Neuromuscular Electrical Stimulation in Critical Care Patients. Hospital Chronicles. 2013;8(3):112-119.
Parâmetro Recomendação / Faixa
Tipo de correnteCorrente pulsada (bifásica assimétrica ou simétrica)
Frequência35 – 100 Hz
Duração do pulso300 – 400 μs (microssegundos)
Ciclo de trabalho12 segundos ligado / 6 segundos descanso
Duração da sessão30 – 60 minutos
Frequência semanal5 – 7 dias por semana (diário ideal)
IntensidadeAté contração visível ou tolerância máxima do paciente
EletrodosSuperficiais autoadesivos, posicionados sobre os ventres musculares (ex: quadríceps, tibial anterior)
🧠 Efeitos Clínicos Evidenciados
  • Preservação da massa muscular e prevenção da atrofia
  • Redução da incidência de polineuromiopatia do doente crítico (ICUAW)
  • Melhora da força muscular (avaliada pela escala MRC)
  • Efeito sistêmico: melhora da microcirculação e do consumo de oxigênio em músculos não estimulados
⚠️ Contraindicações: Marcapasso / desfibrilador implantado (uso com cautela), fraturas instáveis na região, trombose venosa profunda aguda, feridas abertas sobre os eletrodos.
📌 Parâmetros da TENS no Controle da Dor
📄 Fonte: Banerjee G, Johnson MI. Transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS): A potential intervention for pain management in India? Indian J Pain. 2013;27(3):132-141.
Tipo / Técnica Frequência (pps) Duração do pulso (μs) Intensidade Indicação / Mecanismo
Convencional (alta frequência, baixa intensidade) 50 – 200 50 – 200 Forte, porém confortável (parestesia) Ativa Aβ → inibição segmentar da dor (Gate Control)
Acupuntura-like (AL-TENS) (baixa frequência, alta intensidade) 1 – 10 100 – 400 Contração muscular visível, desconforto tolerável Ativa Aδ e fibras musculares → vias descendentes inibitórias (opioides)
Intensa TENS (alta frequência, alta intensidade) 50 – 200 100 – 400 Limiar de dor, suportável por curtos períodos Ativa fibras Aδ → bloqueio antidrômico + mecanismos supraespinhais
⚙️ Parâmetros Gerais do Aparelho
Parâmetro Faixa típica Observação
Amplitude (corrente) 0 – 60 mA (carga) Ajustada conforme tolerância e objetivo
Forma de onda Bifásica assimétrica / simétrica Reduz polarização tecidual
Duração da sessão Convencional: 20‑60 min;
AL-TENS / Intensa: 15‑30 min
Pode ser repetido ao longo do dia
Eletrodos Autoadesivos (descartáveis) ou borracha com gel Posicionar sobre área dolorosa, nervo periférico, raiz ou pontos de acupuntura
⚠️ Orientação prática: Para primeira utilização, iniciar com TENS convencional (alta frequência) sobre o local da dor. Ajustar intensidade para “forte, mas confortável”. O efeito é rápido e pode ser usado quantas vezes forem necessárias, com intervalos para evitar irritação cutânea.
🚫 Contraindicações Absolutas (gerais)
  • Pacientes com marcapasso cardíaco ou desfibrilador implantado (risco de interferência)
  • Cardiopatias instáveis / arritmias não controladas
  • Comprometimento cognitivo grave (incapacidade de compreender e ajustar o aparelho)
📍 Contraindicações Locais (não aplicar sobre)
Região / Condição Motivo / Risco
Pescoço anterior / seio carotídeoHipotensão, espasmo laríngeo, reflexo vagal
Cabeça / olhos (via transorbital)Aumento da pressão intraocular, risco em epilepsia
Abdome / pelve durante gravidezRisco teórico de estimulação uterina (exceto TENS para dor lombar no parto)
Sobre feridas abertas, pele irritada, infectada ou com hemorragia recenteRisco de infecção, piora da lesão, sangramento
Áreas com trombose venosa profunda aguda ou varizes gravesRisco de deslocamento de trombo / embolia
Regiões com alteração de sensibilidade (alodinia, disestesia)Risco de queimadura por intensidade inadequada
Sobre tecido isquêmico ou áreas de malignidade ativaRisco de isquemia; contraindicação relativa em dor oncológica (avaliar caso a caso)
Regiões epifisárias em criançasRisco teórico de interferência no crescimento ósseo
⚠️ Precauções Adicionais
  • Não utilizar durante a condução de veículos ou operação de máquinas pesadas (risco de distração ou movimentos involuntários)
  • Evitar em pacientes com epilepsia não controlada (aplicação na cabeça/pescoço é contraindicada)
  • Não submergir os eletrodos ou o aparelho em água
  • Cuidado com alergia a eletrodos ou gel condutor (utilizar hipoalergênicos se necessário)
  • Não aplicar sobre pele com dermatite ou radioterapia recente (aguardar cicatrização completa)
📌 As recomendações são baseadas nas diretrizes da Canadian Physiotherapy Association (CPA, 2010) e no consenso da literatura. Sempre avaliar cada paciente individualmente.
📖 Citações completas – ABNT
🔗 Todas as referências foram validadas com links de acesso direto e/ou DOI.
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